Crise de Ansiedade: Por que ela acontece e como você pode retomar a calma

Entenda o que realmente acontece no corpo durante uma crise de ansiedade e conheça técnicas práticas para lidar com ela no dia a dia. 

Entendendo a crise de ansiedade

A ansiedade é uma reação natural do corpo diante de algo que parece perigoso, desafiador ou desconhecido. Todos nós sentimos ansiedade em algum momento, e ela pode até ser útil,  é ela que nos ajuda a reagir quando precisamos agir rapidamente. Essa resposta é chamada de “reação de luta ou fuga”. Quando o cérebro entende que há uma ameaça, ele envia sinais para o corpo se preparar para lutar ou fugir, mesmo que o perigo não seja real.

Durante esse processo, o corpo começa a reagir: o coração acelera para bombear mais sangue para os músculos, a respiração fica mais rápida para trazer mais oxigênio, os músculos se tensionam e o suor aumenta. Essas mudanças acontecem porque o corpo está tentando te proteger.

O problema é que, em algumas pessoas, esse sistema de alerta dispara sem motivo real, por exemplo, no trânsito, em uma reunião, em casa ou até ao deitar-se. Nesses momentos, as sensações físicas são intensas e desconfortáveis, podendo gerar medo e a sensação de que algo grave está acontecendo, como um desmaio ou um ataque cardíaco. Mas, na verdade, é apenas o corpo reagindo a um “alarme falso”.

Segundo a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), nossos pensamentos influenciam diretamente o que sentimos e como reagimos. Em uma crise de ansiedade, o que geralmente acontece é que temos pensamentos automáticos e catastróficos, como “vou perder o controle” ou “vou morrer”, e o corpo reage como se isso fosse realmente verdade.

A TCC ensina que não são as situações em si que provocam a ansiedade, mas a forma como as interpretamos. Quando aprendemos a reconhecer esses pensamentos e substituí-los por outros mais realistas e tranquilos, conseguimos reduzir a intensidade da crise e recuperar o controle.

Orientações para o manejo da ansiedade

Entender o que acontece no corpo já é o primeiro passo. O segundo é ter, na manga, algumas ferramentas práticas para os momentos em que a crise aparece.

1. Respiração diafragmática: Durante uma crise, exercícios de respiração diafragmática podem ajudar a regular o sistema nervoso. Como fazer: inspire pelo nariz contando até 4, segure por 2 segundos e expire lentamente pela boca contando até 6.

2. Técnicas de aterramento: Trazem a mente de volta para o momento presente. Descreva mentalmente: 5 coisas que você vê, 4 que pode tocar, 3 que pode ouvir, 2 que pode cheirar e 1 que pode saborear.

3. Atenção plena: É uma ferramenta eficaz no manejo da ansiedade a longo prazo. Aplicativos como Calm, Insight Timer e Meditopia oferecem meditações guiadas e sons relaxantes,  e apps de áudio como o Spotify também podem ajudar. Uma sugestão acessível para iniciar é a série “Headspace — Meditação Guiada”, disponível na Netflix, que apresenta conceitos básicos e exercícios guiados para treinar a atenção, perceber os pensamentos e reduzir a reatividade ao estresse.

É importante lembrar, a atenção não significa “esvaziar a mente”. A proposta é perceber pensamentos, emoções e sensações corporais com mais consciência e menor julgamento. A prática pode complementar o tratamento, mas não substitui psicoterapia, acompanhamento médico ou medicação quando indicados.

Você não precisa lidar com isso sozinho(a)

Essas técnicas ajudam a atravessar o momento agudo, mas entender a raiz da sua ansiedade, e ter um plano de cuidado feito sob medida, faz toda a diferença a longo prazo. Agende sua consulta e dê o próximo passo para retomar o controle com o suporte certo.